Estudo revela que a rapidez dos ciclistas nas principais provas disparou desde a década passada, sem qualquer explicação fisiológica ou tecnológica, precisamente na altura em que a dopagem com EPO se disseminou pelo pelotão de elite e por outros desportos de resistência.
Lance Armstrong é o rei das vitória na Volta à França - sete consecutivas - e também na velocidade. Em 2003, o norte-americano terminou a prova com a média de 41,23 km/h. Foi o valor mais alto de um período em que as velocidades não pararam de crescer, coincidente com o momento em que a EPO, um dos medicamentos com mais efeitos no desempenho desportivo, começou a ser usado como doping no ciclismo de elite e mais tarde noutros desportos. E neste período, ao contrário do esperado, quanto mais difícil era o Tour, mais aumentava a velocidade.
Esta velocidade obtida por Armstrong não é a que consta nos registos oficiais da organização do Tour. É o resultado de cálculos matemáticos realizados por um grupo de cientistas franceses que estudou a evolução do ciclismo nos últimos 116 anos. Para poderem analisar e comparar as performances dos ciclistas de seis clássicas e das três principais voltas (França, Espanha e Itália), sem que os resultados fossem influenciados pela dureza dos percursos, os investigadores calcularam os índices de escalada e chegaram às velocidades médias dos dez primeiros corredores.
Este estudo ("Tour de France, Giro, Vuelta, and classic European races show a unique progression of road cycling speed in the last 20 years") revelou quatro períodos de expansão significativa da velocidade. O primeiro ocorreu quando as corridas começaram a disputar-se, antes da I Guerra Mundial. O segundo foi entre as duas Guerras Mundiais, graças a melhorias nos treinos e ao desenvolvimento de novos materiais usados no fabrico das bicicletas. Quando terminou a II Guerra Mundial, as velocidades voltaram a subir, de forma progressiva, e estabilizaram até aos meados da década de 90. Neste período, as médias baixavam quando o índice de escalada era mais alto.
Os cientistas salientam que esta evolução é semelhante às de "cinco disciplinas olímpicas quantificáveis e de dez outros grandes eventos". "No ciclismo de estrada, contudo, uma nova fase de progressão começou após 1993. Foi observada em 10 das 11 provas estudadas e ocorreu após 30 anos de estagnação. A performance melhorou em 6,38%. As distâncias entre os dez melhores e os restantes também diminuíram e os desempenhos tornaram-se mais similares", explicam os investigadores.
Após a II Guerra Mundial, os estimulantes usados pelos militares passaram para o desporto. Mas os cientistas lembram que algumas das principais inovações farmacológicas surgiram nas últimas duas décadas, como a EPO. Trabalhos anteriores mostram que esta substância aumenta a capacidade de absorção de oxigénio em valores similares aos do estudo sobre velocidades e que o desempenho é influenciado pela quantidade de oxigénio absorvido.
Sandro Siqueira
Lance Armstrong é o rei das vitória na Volta à França - sete consecutivas - e também na velocidade. Em 2003, o norte-americano terminou a prova com a média de 41,23 km/h. Foi o valor mais alto de um período em que as velocidades não pararam de crescer, coincidente com o momento em que a EPO, um dos medicamentos com mais efeitos no desempenho desportivo, começou a ser usado como doping no ciclismo de elite e mais tarde noutros desportos. E neste período, ao contrário do esperado, quanto mais difícil era o Tour, mais aumentava a velocidade.
Esta velocidade obtida por Armstrong não é a que consta nos registos oficiais da organização do Tour. É o resultado de cálculos matemáticos realizados por um grupo de cientistas franceses que estudou a evolução do ciclismo nos últimos 116 anos. Para poderem analisar e comparar as performances dos ciclistas de seis clássicas e das três principais voltas (França, Espanha e Itália), sem que os resultados fossem influenciados pela dureza dos percursos, os investigadores calcularam os índices de escalada e chegaram às velocidades médias dos dez primeiros corredores.
Este estudo ("Tour de France, Giro, Vuelta, and classic European races show a unique progression of road cycling speed in the last 20 years") revelou quatro períodos de expansão significativa da velocidade. O primeiro ocorreu quando as corridas começaram a disputar-se, antes da I Guerra Mundial. O segundo foi entre as duas Guerras Mundiais, graças a melhorias nos treinos e ao desenvolvimento de novos materiais usados no fabrico das bicicletas. Quando terminou a II Guerra Mundial, as velocidades voltaram a subir, de forma progressiva, e estabilizaram até aos meados da década de 90. Neste período, as médias baixavam quando o índice de escalada era mais alto.
Os cientistas salientam que esta evolução é semelhante às de "cinco disciplinas olímpicas quantificáveis e de dez outros grandes eventos". "No ciclismo de estrada, contudo, uma nova fase de progressão começou após 1993. Foi observada em 10 das 11 provas estudadas e ocorreu após 30 anos de estagnação. A performance melhorou em 6,38%. As distâncias entre os dez melhores e os restantes também diminuíram e os desempenhos tornaram-se mais similares", explicam os investigadores.
Após a II Guerra Mundial, os estimulantes usados pelos militares passaram para o desporto. Mas os cientistas lembram que algumas das principais inovações farmacológicas surgiram nas últimas duas décadas, como a EPO. Trabalhos anteriores mostram que esta substância aumenta a capacidade de absorção de oxigénio em valores similares aos do estudo sobre velocidades e que o desempenho é influenciado pela quantidade de oxigénio absorvido.
Sandro Siqueira
