terça-feira, 6 de outubro de 2026

Diney Félix, conhecido como Cachorro Louco percorrreu os 318km do caminho da fé para homenagear seu Pai.

 Diney Félix, conhecido como Cachorro Louco percorrreu os 318km do caminho da fé para homenagear seu Pai.




Em seis dias de pedal pelas serras da Mantiqueira, peregrino enfrentou medo, dor, lágrimas e limites pessoais até chegar ao Santuário Nacional de Aparecida.

Algumas jornadas começam com uma bicicleta. Outras começam com uma necessidade que vem de dentro.

Foi assim que teve início, no dia 26 de setembro de 2026, em Águas da Prata (SP), uma viagem que, para quem olha de fora, pode parecer apenas um desafio esportivo. Mas, para quem viveu cada quilômetro, foi muito mais do que isso.



Sozinho, de bicicleta, ele decidiu percorrer cerca de 318 quilômetros pelo Caminho da Fé, atravessando as serras da Mantiqueira até chegar ao Santuário Nacional de Aparecida, em Aparecida (SP).

A partida aconteceu às 9h da manhã. A chegada foi no dia 1º de outubro, às 15h. Foram seis dias de pedal, subidas, descidas, cansaço, dor, silêncio, medo, lágrimas, fé e, acima de tudo, superação.

Mas havia um motivo maior para continuar pedalando.

Uma homenagem ao pai

O desafio nasceu de uma promessa pessoal e de uma saudade.

O pai faleceu no dia 2 de setembro de 2026. Poucas semanas depois, surgiu a ideia de percorrer o Caminho da Fé e chegar a Aparecida justamente entre os dias 1º e 2 de outubro.

A intenção era transformar cada quilômetro em uma homenagem.

Mais do que chegar ao destino, era preciso viver o caminho.

“Eu precisava fazer isso. Precisava homenagear meu pai. Precisava olhar para dentro e fazer uma verdadeira reflexão sobre a minha vida. Precisava enfrentar meus limites.”

A escolha de fazer o percurso sozinho não foi por acaso.

Sozinho com os próprios pensamentos

Quem vê uma aventura como essa de fora pode imaginar como é enfrentar centenas de quilômetros de bicicleta pelas montanhas. Mas viver a experiência é completamente diferente.

Quando não existe uma equipe acompanhando, um carro de apoio ou alguém ao lado para dividir o silêncio, sobra apenas o próprio caminho.

É você, seus pensamentos, seus medos, suas dores e tudo aquilo que muitas vezes tenta esconder de si mesmo no dia a dia.

“Queria fazer algo ousado e sozinho. Sim, tive medo. E tive muitos medos. Mas havia uma força dentro de mim que pedia para fazer esse desafio e homenagear meu pai.”

E foi justamente nesse isolamento que a jornada ganhou outro significado.

Cada subida exigia força física. Cada quilômetro exigia resistência mental. E cada momento de cansaço trazia uma pergunta: até onde seria possível chegar?

Em alguns momentos, a vontade de parar apareceu.

Mas ele continuou.

318 quilômetros de fé e superação

O Caminho da Fé é uma das principais rotas de peregrinação do Brasil, inspirada no tradicional Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha.

O percurso realizado teve início em Águas da Prata (SP) e passou por diferentes cidades e localidades de Minas Gerais e São Paulo, incluindo Andradas, Ouro Fino, Inconfidentes, Borda da Mata, Tocos do Moji, Estiva, Consolação, Paraisópolis, Luminosa, Campos do Jordão, São Bento do Sapucaí e Potim, até a chegada a Aparecida.

Ao longo do trajeto, as paisagens da Serra da Mantiqueira se misturaram ao desgaste físico e às emoções de uma jornada que tinha um significado muito particular.

Foram quilômetros de dor, silêncio, lágrimas, fé, superação e descobertas.

E, em meio a tudo isso, uma conclusão começou a surgir.

“Eu não fiz o Caminho da Fé. O Caminho da Fé é que me fez.”

A frase resume o que a experiência representou.

A jornada, que começou como uma homenagem ao pai e como um desafio pessoal, terminou como uma transformação.

“Ele me transformou. Me fortaleceu. Me mostrou que sou capaz de ir muito além do que eu imaginava.”

Uma homenagem e também uma celebração

Além da homenagem ao pai, o desafio também teve outro significado especial.

A viagem marcou a comemoração dos 32 anos do apelido “Cachorro Louco”, que completa 32 anos no dia 12 de outubro de 2026.

Assim, entre a saudade de quem partiu e a celebração de uma história que continua, os quilômetros percorridos ganharam ainda mais significado.

Era preciso enfrentar os próprios limites, olhar para dentro e, ao mesmo tempo, celebrar a vida.

“O impossível é apenas uma palavra”

Ao chegar ao Santuário Nacional de Aparecida, depois de seis dias de pedal, o sentimento não era apenas de missão cumprida.

Era de gratidão.

“E se tem uma coisa que essa jornada me ensinou é que o impossível é apenas uma palavra. E essa palavra não me representa.”

Para ele, fazer o Caminho da Fé sozinho tornou a experiência ainda mais intensa.

“Uma coisa é fazer o trajeto com todo apoio. Outra completamente diferente é enfrentar tudo sozinho. A história muda completamente.”

Por isso, a recomendação para quem pensa em viver uma experiência semelhante é simples: coragem.

“Indico para quem tiver coragem e sentir na alma que faça esse trajeto sozinho. Ele muda você por dentro completamente.”

Uma presença que esteve em todos os quilômetros

No fim da jornada, ficou a certeza de que, embora estivesse fisicamente sozinho, nunca se sentiu completamente só.

A memória do pai esteve presente em cada subida, em cada momento de cansaço e em cada quilômetro percorrido.

A chegada a Aparecida representou, portanto, muito mais do que o fim de uma viagem de bicicleta.

Representou uma despedida, uma homenagem, uma reflexão e uma forma de seguir em frente.

“Meu pai, com certeza, lá de cima recebeu as energias e me guiou e protegeu o tempo todo.”

Depois de 318 quilômetros, seis dias de pedal e incontáveis momentos de dúvida, medo e superação, restaram três agradecimentos:


Obrigado, Deus.

Obrigado, pai.

Obrigado, Caminho da Fé.


E, talvez, essa seja a maior lição deixada pela jornada: às vezes, é preciso percorrer muitos quilômetros para descobrir que o caminho mais difícil não está na estrada, mas dentro de nós mesmos.

Nenhum comentário: